Lembre

O que anotar depois de um café com alguém que você quer rever

· 3 de outubro de 2026

Homem no banco de um carro, logo depois de um encontro, anota no celular o que quer lembrar da conversa.

O café durou quarenta minutos. Ela falou da segunda loja, da obra que atrasou e do filho que entrou na natação. Você ficou de mandar o contato do empreiteiro que reformou o seu escritório. Na calçada, tudo ainda estava claro. Na quinta-feira, sobrou a loja. O empreiteiro e a natação tinham sumido.

Não é falta de memória. É que o café não vira anotação. Vira uma impressão. E uma impressão não volta quando você precisa dela.

O que vale anotar, e só isso

Três coisas, no táxi, antes de abrir o e-mail.

Onde vocês pararam. Não o resumo da vida dela. A frase que ficou aberta. “A segunda loja depende da obra, e a obra parou na parte elétrica.” Isso é o fio. Sem ele, o café vira um episódio solto.

O que você ficou de fazer. Um item, com nome. “Mandar o contato do empreiteiro da obra do escritório.” Se não cabe numa linha, não era um combinado. Era um jeito educado de encerrar.

Um detalhe que não está no perfil profissional. A natação do filho. O bairro da loja nova. O fato de ela odiar reunião antes das dez. É o tipo de coisa que some primeiro, e é o que segura o contexto.

O resto pode ir embora. Você não precisa da ata. Precisa do que ainda vai ser verdade quando o café já esfriou.

O que não anotar

Não anote o que você queria conseguir com ela. Isso você já sabe, e na hora do café vira roteiro.

Não anote julgamento. “Pareceu insegura.” “Deve estar sem caixa.” Daqui a um mês você lê isso como se fosse fato.

Não transcreva a conversa. Quanto mais texto, menor a chance de você achar o fio de novo.

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