Lembre

O nome que some no segundo dia do evento

· 7 de outubro de 2026

Intervalo entre sessões de um evento: participantes com crachá conversam em pé na sala, e uma mulher segura o celular diante de um homem que também tem o celular na mão.

No segundo dia, o crachá vira. A pessoa da mesa redonda de ontem aparece no corredor entre uma palestra e outra. Você sorri. Ela sorri. Os dois param. O nome não vem. Nem o projeto. Nem o detalhe que ontem parecia óbvio.

Não é vergonha. É o formato do evento. Em vinte e quatro horas você cruzou dezenas de conversas curtas, todas com o mesmo cenário: café ruim, luz forte, barulho de fundo. Sem um fio anotado, cada encontro volta como uma cara familiar e um vazio atrás.

Ainda dá para recuperar. Só que é agora, em pé, antes da próxima sessão.

O que dá para anotar na hora

Três coisas, no celular, ainda no corredor. Sem esperar o aeroporto.

O nome, do modo certo. Se sumiu, peça de novo. “Me lembra seu nome? Quero anotar direito.” É menos constrangedor do que inventar um “oi, tudo bem?” e errar o vocativo na terceira frase. Anote como ela fala, não como o crachá abrevia.

Onde vocês pararam ontem. Uma frase aberta, não o resumo da carreira dela. “Você ia fechar a proposta com o cliente de Curitiba.” “A equipe nova começa em novembro.” Se isso não voltar, pergunte o que ficou pendente. O segundo encontro serve para amarrar o fio, não para recomeçar do zero.

Um detalhe deste reencontro. O que ela falou agora, em duas linhas. A cidade de onde veio hoje. O painel que ela quer pegar. O fato de estar com pressa porque a reunião mudou de sala. É o que prova que vocês se viram de novo, e não só que “alguém do evento” ficou na memória.

Se não cabe numa nota curta, você ainda não tem o fio. Tem só a impressão.

O que não resolve neste momento

Não finja que lembra. Cada pergunta genérica aprofunda o buraco e gasta o pouco tempo que o corredor ainda te dá.

Não transforme o reencontro em pitch. Você não precisa “aproveitar” a pessoa. Precisa sair dali com nome, fio e um detalhe que ainda seja verdade amanhã.

Não empurre a anotação para depois. “Depois eu vejo” é o mesmo acordo que ontem. Amanhã ela some de novo, e sobra só o sentimento de que você já se conheceram.

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